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365 Cores do Universo

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Ei! Tudo bem? 
Espero que sim :) 

Finalmente a notícia de tão longe chegou ao blog: é real um sonho pequeno que se tornou gigante com uma grande amiga de faculdade. A partir desse mês surge o Clube Métrica, com o intuito de promover a literatura e criar um clube de assinaturas (que também serve para ser um clube do livro) de maneira bem mais acessível!

Todo dia um clube literário surge por aí, mas normalmente os preços são a cima de R$30,00; o que nos soa absurdo. Por isso, você pode apoiar o projeto pelo Catarse a partir de R$5,00; caso ainda sim não seja acessível, lá no site do clube tentamos publicar o máximo de literaturas para todos. 

Mas vocês devem estar se perguntando como isso tudo funciona e como um projeto de clube de assinatura pode ser tão barato, e eu respondo vocês dizendo: por qual motivo não ser barato? 
Disponibilizamos uma plataforma/fórum que é aberta uma vez ao mês, lá teremos discussões pertinentes ao livro que escolhemos, entretanto, é possível ter acesso por 24hrs a textos didáticos mas também científicos sobre temas relevantes a obra. 

Em agosto escolhemos Você Nasceu para Isso, história já resenhada pelo Cores em 2019. Essa é um trama que vai de frente ao período que estamos vivendo e pretendemos desmembrar e abrir questões importantes em debates ao longo do mês. 

Vocês também podem se perguntar se um clube de assinaturas como esse vem algum mimo ou brinde, e sim, vem. Dependendo do apoio no Catarse, as recompensas ficam maiores, e é interessante dar uma olhada no site para entender melhor como será o funcionamento! 

De resto, convido a todos a acessarem e conhecerem um pouquinho o Clube Métrica, um clube de assinaturas literário que tende a abrir novos olhares ao mundo. 
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Ei! Tudo bem? 
Espero que sim :)

Hoje, pela primeira vez em alguns longos anos de blog, eu decidi que falaria sobre quem escreve e não sobre o que escreve. Isso fez sentido? Acho que sim. Estranhamente, porém, eu escolhi a pessoa que menos gostaria de uma publicação ao seu respeito e, sim, estou falando de Elena Ferrante, mas apenas para dizer que não importa quem é Elena Ferrante. 

Dizendo assim, é fácil acreditar que eu não gosto de suas obras, mas ao contrário, sou uma fã fervorosa desde o minuto em que um teste estilo BuzzFeed me disse que o livro que mais me representava era Amor Incômodo. A partir daí falar sobre o que essa autora produz é inevitável. 

Tudo bem não conhecer essa escritora, porém, não faz sentido não querer conhecê-la. Isso porque ela traz uma das melhores partes da literatura italiana do século XXI. Faz isso de maneira diferenciada, não colocando seu rosto na contracapa de suas obras. 

Isso porque Elena Ferrante é um pseudônimo e, claro, existem diversas teorias sobre quem está por detrás desse nome, a maior dedução é Anita Raja - tradutora romana, o que não é algo realmente importante. O importante, porém, é a preservação da imagem daquela que não quer prevalecer ao seu livro.

Concedeu poucas entrevistas e todas foram por e-mail, e seu anonimato não é algo que possa ser comprado, a autora acredita que quando termina um livro, ele deve existir por si só. Ao colocar seu rosto ao lado, isso não teria sequer sentido. 

"Eu não sei se minha escrita tem a energia que você fala que tem. Claro, se essa energia existe, é porque ou não encontra outros canais ou, conscientemente ou não, recusei escoá-la por esse outros canais. Claro, quando escrevo, eu extraio partes de mim mesma, de minha memória, que são agitadas, fragmentadas, que me deixam desconfortável. Uma história, a meu ver, só vale a pena ser escrita se sua alma emerge dali." - Ferrante em entrevista a revista francesa L'Obs em 2018

Sua fala marcante para L'Obs nos faz questionar quantas vezes não notamos a exposição de quem produz a obra, quantas vezes não comparamos a vida de quem escreve ao que foi escrito, quantas vezes não nos deparamos a críticas cruéis que - em muitos momentos - não se direcionam ao livro mas sim ao autor? 

A perseguição constante, a grande pergunta "Quem é Elena Ferrante?" está sempre por noticiários, e isso só nos mostra o quanto essa autora tem razão por querer se distanciar, nos faz pensar também em como a mídia não trabalha o que foi escrito, mas o motivo em si, e nem sempre o motivo é o autor da obra. 

Então é isso que eu vim fazer hoje, convencer vocês a darem uma chance para Elena Ferrante, mas não para vocês fazerem teorias da conspiração sobre quem é Elena Ferrante. Vim dizer para vocês que isso não importa, o que importa é a história que está em suas mãos e eu garanto que você nunca vai ler algo tão intenso e verdadeiro. A escrita é ágil ao mesmo tempo que é frágil, consegue conduzir o leitor e transmitir a realidade dos napolitanos, mas também de cada pessoa que nasce, cresce, adoece, envelhece e por aí. A construção de quem somos é o que recebemos em histórias grandiosas da autora, ao finalizar, é impossível não sentir cada emoção. 
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"– Porque se não for uma história de amor, então o que é? - Olho para seus olhos brilhantes, para sua expressão de empatia sincera. – É a minha vida – digo. – Isso tem sido a minha vida inteira."

Ei! Tudo bem?
Espero que sim :)

É dia de conversarmos sobre mais um livro, dessa vez a escolha é Minha Sombria Vanessa, obra de estréia de Kate Elizabeth Russell. Uma história forte e que não fala sobre amor.

Minha Sombria Vanessa - Kate Elizabeth Russell
Sinopse: Em 2000, Vanessa Wye é uma estudante solitária de ensino médio. Talentosa e com o sonho de ser escritora, Vanessa diz não se importar de ficar sozinha, principalmente quando seu professor de inglês, Jacob Strane, um homem de 42 anos, começa a prestar atenção nela, elogiando seu cabelo, suas roupas e lhe emprestando alguns de seus livros favoritos ― como Lolita, de Nabokov. Antes que Vanessa perceba, os dois embarcam em uma relação e a jovem acredita que o professor a ama e a considera especial. Mais de uma década depois, uma ex-aluna acusa Strane de abuso sexual, e Vanessa começa a questionar se o que viveu foi realmente uma história de amor ou se não teria sido ela também uma vítima de estupro. Mesmo depois de tantos anos, Strane ainda é uma presença constante em sua vida. Como ela seria capaz de rejeitar o que considera seu primeiro amor? Alternando entre presente e passado, o livro justapõe memória e trauma ao entusiasmo de uma adolescente descobrindo o poder do próprio corpo. 

💥Antes de começar eu gostaria de pedir que, caso você tenha percebido pela sinopse que esse livro pode conter gatilhos, não leia. Essa obra de fato contém gatilhos, não só para quem passou por uma relação de abuso físico e/ou psicológico com um professor ou qualquer outro. É a primeira vez em - quase - cinco anos de blog que eu digo para não lerem um livro caso percebam que essa será uma leitura dolorosa. 

Falando em primeiras vezes, é a primeira vez que eu termino uma história pensando em resenha-la mas só consigo começar a escrever as primeiras palavras três semanas depois. Porque Minha Sombria Vanessa foi um livro que mexeu muito comigo desde as primeiras páginas. 

Vanessa é uma personagem que já existe nos livros new adult principalmente, nos mostra uma visão da vida introspectiva, está na fase de transição para a adolescência, não se entende ainda com as mudanças de seu corpo e também não consegue criar novos laços depois da infância. A diferença de Vanessa para uma outra protagonista, é que ela começa a nos contar sua história se deparando com delações de abuso entre seu antigo professor. E é nesse primeiro capítulo que percebemos que Kate Elizabeth Russell não está escrevendo uma história de amor entre professor e aluna como é tão presente em new adult e outros.

Russell conta a história de Vanessa e Jacob Strane, professor de literatura que tem quase três vezes a idade de Vanessa. Assim que se conhecem, Strane cria toda uma relação com sua aluna e imagens de perfeições que a mesma não conseguia se encaixar, ela é mais uma aluna, mais uma menina de 14/15 anos que está passando por diversos questionamentos sobre quem é, mas a única pessoa que parece ter a resposta é Jacob. Vanessa é convencida por ele, e com referências a Lolita de Vladimir Nabokov, a relação dos dois é construída em segredo. 

Porém, é apenas em 2017, com 32 anos, que a personagem percebe a partir das denuncias de abuso que, talvez, Jacob Strane fosse um pedófilo e não um homem apaixonado. Vanessa guardou segredo sobre a relação por sua vida inteira e agora, com a história se intercalando entre presente e passado, ela precisa decidir o que é certo, precisa entender quem ela é e quem um dia foi. 

"Fico sem ar ao pensar em como estou perto de um grave passo em falso. Uma única reação errada poderia arruinar tudo."

A escrita de Russell é o que faz esse livro funcionar tão bem, ela consegue criar uma atmosfera densa e é quase impossível ler a obra de uma só vez, em muitos momentos eu precisei parar para respirar fundo. 

É muito comum a romantização da relação entre professor e aluno, é absurdamente comum, e isso sai das páginas literárias chegando até no quotidiano, então eu admiro ainda mais o trabalho da autora, porque ela não quis contar sobre amor, ela mostrou a verdade, ela questiona o leitor e consegue conscientizar quem lê. 

O livro se desenvolve de maneira angustiante, logo se afeiçoar por Vanessa é tão fácil, porque você quer tirar ela daquela situação, você começa a ver que ela mesma não quer mais aquela situação, mas ela perdura. Aos 32 anos, Vanessa ainda conversa com Strane e, em alguns momentos, se encontram, trocam mensagens e ligações. E isso só é mais uma forma de controle que ele exerce nela. 

Uma história assustadora, mas necessária. Se você puder, leia Minha Sombria Vanessa, entre nesse mundo para questionar e entender as relações que romantizamos sem ao menos perceber. Russell escreveu uma obra tão grandiosa, merece nossa atenção. 

Um abraço enorme (à distância) e um beijo!
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Ei! Tudo bem?
Espero que sim :)

Depois de muito tempo, decidi voltar ao blog para falar sobre o clube de assinatura da Editora Intrínseca, o famoso Intrínsecos. Dessa vez porque o livro escolhido do mês é de uma das minhas escritoras favoritas, Elena Ferrante. 

Seu retorno desde sua ultima publicação fora bastante aguardado e, por estar na caixa 021, ele está sendo publicado 45 dias antes de seu lançamento mundial! 
Observação: A obra já teve sua publicação na Itália em 2019. 

O livro em questão é A Vida Mentirosa dos Adultos, história que, novamente, se passa em Nápoles e leva o leitor a conhecer a protagonista Giovanna e seu processo de transformação para a vida adulta a partir de uma frase dita pelo seu pai, que sua filha era feia. 

O que me faz ser tão apaixonada pela Elena é que suas obras são vivas e transcendem enredos fixos, ela nos leva até a Itália, nos leva a Nápoles, ao pior e o melhor dos mundos, nos entrega dialetos e comportamentos diversos que temos em um só lugar. Os livros de Ferrante são movimentos e que não devem ser parados, são histórias sobre a sociedade e como nos comportamos. 

Hoje, porém, não é dia de eu falar sobre quem é Elena Ferrante - afinal, quem é?! - e nem dia de resenhar essa obra mirabolante, hoje é dia de apresentar a caixa de Junho para vocês e caso não queiram spoilers, é agora que nos despedimos! 


O que é o Intrínsecos, Cecília? 
Como disse, é o clube de assinatura da Editora Intrínseca, eles se propõem a lançar um livro inédito 45 dias antes do seu lançamento oficial aqui no Brasil. Os livros vêm em uma edição muito especial, capa dura, texturizado, e se completa com as outras obras publicadas pelo clube. 

Além da obra em si, a caixinha sempre vem com um Cartão Postal, um Marcador, a Revista Intrínsecos e um brinde literário, todos se referem ao livro escolhido para o mês, livro que normalmente é surpresa, em apenas algumas edições a editora avisa qual será a história da caixa antes de seu lançamento para que mais pessoas possam comprar!




A caixinha desse mês ganhou meu coração por três coisinhas. 

Primeiro, o livro em si, porque esse tem um acabamento maravilhoso, é muito delicado e você o pega na mão como se estivesse pegando o primeiro exemplar da obra, o que é uma sensação revigorante para quem gosta tanto de Ferrante. 

Depois, o sensacional brinde literário. Uma pequena ecobag inspirada em Nápoles, cidade de A Vida Mentirosa dos Adultos, mas também cidade de outras obras de Elena. Ela tem o tamanho ideal para quem quer carregar o livro favorito por aí, afinal, quem nunca sai de casa sem um livro na bolsa? 

Por último, a minha grande paixão desse clube de assinatura, que é a Revista Intrínsecos. Dessa vez totalmente focado no grande mistério de Elena Ferrante, mas também com muitos artigos sociológicos, que vão desde os nossos comportamentos em sociedade até nossa relação com o nosso crescimento, temas centrais do livro do mês. 







Para garantir a próxima edição ou alguma caixa específica, vocês podem ir até o site oficial do Intrínsecos e lá decidir qual é a melhor opção de pagamento para vocês. Assinar o clube vai de R$49,90 até R$54,90, sem contar os R$10,00 de entrega para qualquer região do Brasil. Lá no site vocês também poderão entender um pouco mais sobre o processo e as edições já publicadas, aqui no blog vocês encontram mais postagens sobre o clube!

Espero que vocês estejam bem e nos vemos em breve com mais Elena Ferrante. Um beijo e um enorme abraço à distância. 









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Ei! Tudo bem?
Espero que sim! 

Como havia dito para vocês, na resenha de Os Segredos que Guardamos, eu estava planejando com muito carinho uma postagem que fosse sobre os personagens do livro, mas sem a parte de ficção. É uma obra muito importante, tem uma história verdadeira, e eu não vi sentindo em deixar esses protagonistas reais de lado. Então vamos lá!

Olga Ivinskaya (1912-1995)
Olga foi uma personagem muito importante para a história de Doutor Jivago, como amante do autor, ela é a alma de Lara, a protagonista do livro. Por ter tanta influência, Olga acaba parando em um gulag (campo de trabalho forçado da União Soviética), onde sofreu em cada segundo até finalmente conseguir sair. 

Porém, sua força não acaba aí, Olga mesmo já tendo passado pelas ruínas do governo soviético, luta para que Doutor Jivago seja publicado, a obra revolucionária havia mudado a sua vida e ela precisava que estivesse de forma livre pelo país. 

Infelizmente, ela e sua filha, Irina, vão para um gulag quando o livro é publicado no exterior, e hoje só sabemos sua incrível história, porque Irina decidiu nos contar quando emigrou para a França em 1985.

Boris Pasternak (1890-1960)
Grande poeta russo, Boris nasceu em Moscou (na época Império Russo) e morreu na parte russa da União Soviética. Estudou filosofia na Alemanha e trabalhou, na Primeira Guerra Mundial, em uma Usina, onde teve inspirações para Doutor Jivago. 

Boris não consegue a publicação de seu livro mais famoso na URSS, porque era considerada uma obra anti-soviética. Com esse quê revolucionário, é até estranho que Pasternak nunca chegou a ser mandado para uma gulag, ele apenas se isolou e parou de produzir. Na Rússia, era mais conhecido como poeta do que como romancista, porque Doutor Jivago não chega a ser reconhecido, apesar de ter ganhado o Prêmio Nobel, que Pasternak, infelizmente, precisou negar para se preservar das autoridades russas. 

Doutor Jivago (livro de Boris Pasternak) 
Sinopse: Boris Pasternak reconstitui parte da história moderna da Rússia ao narrar o drama vivido pelo médico e poeta Iúri Jivago, que foi preso pelos bolcheviques e obrigado a colaborar com eles. Criado durante a Primeira Guerra Mundial, incapaz de controlar seu destino diante da revolução e da guerra civil entre o Exército Branco e o Vermelho, Iúri Jivago firmou-se como um dos grandes heróis da literatura russa.

Doutor Jivago é uma das maiores obras que a gente tem e a leitura é muito necessária se você gosta de Romance Histórico e da história da Revolução Russa. Se é esse seu estilo de leitura, vá, porque esse livro teve muitos conflitos para ser publicado, então vamos reconhecê-los e vamos prestigiar os esforços de Olga e Boris. 

Se você não é muito desse gênero, mas quer conhecer a história, assistam ao filme - que é maravilhoso - dirigido por David Lean em 1966. Essa história na sétima arte ganhou cinco Oscar, incluindo Melhor Roteiro Adaptado. E se o filme dos anos 60 também não for para você, é só esperar um pouco, porque Michael Hirst - criador de duas séries que eu amo, Vikings e The Tudors - está para adaptar a história em formato de série, e eu já tenho certeza que vai ser uma grande obra assim como o livro e o filme. 

Giangiacomo Feltrinelli (1926-1972)
Como estudante de Letras: Italiano, eu não sei nem como falar sobre esse editor que eu adoro e é completamente controverso. Feltrinelli fundou uma das maiores editoras italiana, Giangiacomo Feltrinelli Editore, e era um grande militante da extrema esquerda. Lutou na Segunda Guerra contra o fascismo, era grande leitor de Marx e foi ele que conseguiu pegar Doutor Jivago lá na União Soviética para publicar em sua editora na Itália. A publicação de Il Dottor Zivago se tornou best-seller graças a esse revolucionário. 

Doutor Jivago foi publicado pela primeira vez na Itália em 1957, dois anos depois de Pasternak terminar o exemplar, e chegou à União Soviética em 1989, quando o livro é, finalmente, autorizado pelo governo. 

Como estamos falando do que vemos no livro Os Segredos que Guardamos, não vou entrar em mais detalhes da vida de Feltrinelli, mas se você tiver curiosidade, é muito legal toda a sua trajetória e luta para a esquerda, além disso, sua morte é um grande mistério, o que nos dá várias teorias maravilhosas!

Missão da CIA 
Em Os Segredos que Guardamos conhecemos Irina que tem a missão de infiltrar Doutor Jivago na URSS, e sim, foi uma missão real. 

Quando Feltrinelli consegue publicar a obra em italiano, ele ainda cede os direitos para a publicação da história em mais dezoito línguas, a CIA logo aparece com uma outra intenção: colocar Doutor Jivago (em sua língua original) na União Soviética de forma clandestina, já que a publicação fora proibida. Assim, é na Feira Mundial de Bruxelas de 1958, que cópias adulteradas do livro são compartilhadas para que voltem ao seu lugar de origem. Essa missão funciona tanto, que pesquisadores acreditam que isso só ajudou a Pasternak ganhar o Prêmio Nobel que, por consequência, levou uma crise até a União Soviética. 


Essa é a realidade que temos dentro de Os Segredos que Guardamos, tudo isso está de forma indireta no livro e vocês podem conhecer muito mais o lendo. A Intrínseca publicou a obra tanto no Clube Intrínsecos (já falei aqui) quanto na capa original, nesta versão vocês podem comprar na Amazon. 

Obrigada por lerem e chegarem até aqui, um beijo, um queijo e um grande abraço virtual!




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"Eles tinham seus satélites, mas nós tínhamos seus livros. Na época, acreditávamos que livros podiam ser armas — que a literatura podia mudar o rumo da história."

Ei! Tudo bem?
Espero que sim :)

Hoje conversaremos um pouquinho sobre um lançamento de 2020 da Editora Intrínseca. O escolhi para resenhar porque é um romance histórico, mas sua base é completamente real, poucos pontos ficcionais foram adicionados e, por isso, Os Segredos que Guardamos foi uma das melhores surpresas que eu já tive. 

Os Segredos que Guardamos - Lara Prescott
Sinopse: Inspirado em uma missão real da CIA durante a Guerra Fria, Os segredos que guardamos mostra, de maneira romanceada, como a Agência de Inteligência americana apostou em Doutor Jivago, uma das obras-primas do século XX, para mostrar aos soviéticos o poder de mudança da literatura. O plano era simples: imprimir no exterior Doutor Jivago em russo e contrabandear exemplares da obra que teve sua publicação proibida na União Soviética por ir contra a ideologia do Estado. Para tanto, a experiente e glamorosa espiã americana Sally Forrester deve treinar a novata Irina, uma simples datilógrafa da Agência, a fim de infiltrar o texto no país natal de seu autor, Boris Pasternak, vencedor do Prêmio Nobel com esta obra, porém obrigado por seu governo a rejeitá-lo. Apesar de todo o potencial revolucionário, Doutor Jivago é também uma brilhante história de amor. A inspiração por trás de Lara, a icônica heroína da trama, é Olga Ivinskaia, musa de Pasternak. Os dois mantiveram um caso por décadas, uma relação intensa que sobreviveu à passagem do tempo, às ameaças de um regime autoritário e até aos anos de Olga em um gulag. Assim, mulheres de ambos os lados da Cortina de Ferro protagonizam essa obra que mostra que, embora a história seja escrita pelos vencedores, é nos bastidores que o destino do mundo é forjado. Amantes, espiãs, datilógrafas. Fortes e corajosas, essas personagens ganham vida nessas páginas e são exemplos de que determinados segredos não devem ser guardados.

Como vocês já estão acostumados, direi novamente que não sei por qual parte começar, porque em minha cabeça essa resenha se abre de diferentes formas e se torna extremamente complexa. Por isso, digo já de antemão que meu plano é separar ficção de fatos históricos, em breve vocês terão acesso a uma postagem só sobre o que estava acontecendo naquele período. Hoje, porém, vamos trocar apenas sobre a ficção nessa obra feminina. 

E digo feminina porque é o que ela é. A história é narrada por mulheres fortes, independentes e que querem conquistar seus meios. O livro é dividido de duas formas, em lado Ocidental, onde temos as datilógrafas, Irina e Sally, e lado Oriental, onde a União Soviética predomina com o autor de Doutor Jivago e sua amante, Olga Ivinskaia. E é assim que essa resenha também vai ser dividida. 


Oriente (1949-1961)
Com a União Soviética como plano de fundo, conhecemos logo no primeiro capítulo, Olga Ivinskaia, uma mulher jovem, apaixonada, mãe de dois filhos e conhecida como a amante de Boris Pasternak, grande escritor do século XX. Ela é a inspiração por detrás de Lara, personagem feminina na obra Doutor Jivago, e é por isso que quando ainda mal a conhecemos, ela é levada para um gulag. 

É na miséria, na dor, no sofrimento de Olga que conhecemos quem ela realmente é, e é impossível não se apaixonar pela sua força e coragem. A mesma se nega a contar qualquer detalhe sobre a obra revolucionária que seu amor, Boris, há escrito. 

Dessa forma temos, o que é para mim, a melhor parte do livro inteiro, a carta de Olga de dentro da gulag. Sua dor sai de suas palavras, transborda pelas páginas de Os Segredos que Guardamos e ainda tão no início dessa história. 

Boris acaba se tornando mais um personagem secundário que tenta, até chegar nas mãos de Feltrinelli, a publicação de Doutor Jivago. Com Olga ao seu lado, ele cai completamente e percebemos que, na verdade, nessa história revolucionária, Boris apenas escreveu, Olga quem protagonizou. 

Ocidente (1956-1961)
Provavelmente o lado mais complexo do livro, porque temos diversas personagens e cada uma com sua particularidade, mas vamos focar nas que realmente são heroínas. 

Seria então impossível não começar por Irina. 
A personagem, que tem raízes soviéticas, consegue um emprego como datilógrafa na Agência de Inteligência americana, o que a traz diversos questionamentos, pois ela fora contratada para um emprego cujo tem zero experiências e não parece ter vocação para adquirir. 
Porém, Irina logo percebe que não está ali para ser como as outras meninas da datilografia, ela tem uma função que é completamente secreta: ser uma espiã. É Irina quem deve pegar Doutor Jivago, é Irina quem deve infiltra-lo dentro da União Soviética, já que o lugar simplesmente é contra a sua publicação por ter sentimentos anti-URSS. 

Irina, porém, não tem nenhuma experiência nesse lado de espionagem e quem deve ensiná-la é Sally Forrester. 
Com certeza, sem sombra de dúvidas alguma, Sally é minha personagem favorita. Ela é complexa, está sempre mudando de personalidade e sua única motivação é saber quem ela é de baixo da figura que está apresentando.
A mesma também protagoniza o melhor romance de dentro da história, romance que leva todos os leitores ao delírio. 

Além de Irina e Sally, que serão duplas maravilhosas, temos as outras protagonistas que eu nunca poderia deixar de lado, as datilógrafas. Elas são mulheres, que estudaram, lutaram por seus direitos, e assistem os altos cargos serem adquiridos por homens que na maior parte do tempo, tem menos qualificações que elas, mas por serem mulheres, acabam se tornando datilógrafas. 
Elas não são o maior foco do livro, porém, seus pensamentos e seus instintos revolucionários fazem com que seus capítulos sejam os mais interessantes e são os que, com certeza, fazem com que qualquer mulher se sinta representada pela luta feminista. 

"Até as palavras na cabeça de alguém poderiam ser uma ofensa passível de prisão naqueles tempos sombrios."

No início da resenha, eu comentei que o que me fez gostar tanto dessa história é que ela era pouco ficcional, o que é verdade. Muitos personagens icônicos aparecem, muitos diálogos são reais e a própria missão de Irina aconteceu, então é impossível não se chocar com a veracidade da obra. 

Porém, dando uma opinião extremamente sincera e que pode magoar alguns fãs dessa leitura, é que eu não acho que o foco do livro seja a realidade, mas sim o romance e as protagonistas femininas, o que pra mim não é mesmo um problema, é a solução. O lado histórico é só um plano de fundo, em alguns momentos rasos, o que poderia ter sido trabalhado melhor é claro, mas a obra é sobre mulheres e para mim Lara Prescott, autora do livro, merece todos os aplausos exatamente por isso. 

É um livro de uma mulher brilhante sobre mulheres brilhantes que revolucionaram a nossa história. 

A escrita de Lara pesa muito nos meus comentários, porque é excepcional, é dramática e consegue dar a voz que as heroínas de seu livro precisam, não tenho mesmo comentários negativos - além do fato de eu ter preferido uma maior elaboração na parte histórica, mas é algo muito pessoal -, porque elogios é o que essa obra precisa!

Como disse, pretendo publicar ainda na próxima semana uma postagem só sobre os personagens desse livro, mas contando quem eles são na realidade, fora do ficcional de Prescott. A postagem terá leves spoilers, porém, acho que seria muito legal se vocês gostarem do livro, ler o que vou escrever, porque é sempre divertido conhecer melhor esses ícones do século XX.  

Obrigada por lerem até aqui! Estou muito feliz que Os Segredos que Guardamos é minha resenha de retorno ao blog, espero que tenham gostado! 

Um grande beijo e vários abraços à distância! 
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Essa não é uma crônica, muito menos um pedido de desculpas, essa é a realidade. 
Nua e crua. 

Ei! Tudo bem?
Que saudades eu estava em dizer isso! Meu Deus!

Como vocês estão? É uma pergunta séria e não algo retórico como sempre faço. 
Eu estou bem, tendo dias bons e outros ruins, mas vim mesmo para dizer que sumi, sumimos e está tudo bem, vou continuar sumida, e essa é a infeliz realidade. De qualquer forma, não se desesperem, eu vim para deixar uma luz no fim do túnel para aqueles que me acompanham a uns bons anos (completamos 4 anos! uma faculdade já). 

O que é o blog, Cecília?
Não sei e sinceramente nunca consegui responder isso, nem quando estávamos no nosso auge. Vou continuar sem saber, porque acho que essa era a minha intenção quando criei isso daqui em 2016, simplesmente falar e falar sobre o que der na telha! 

E o que será do blog?
Não sei e sinceramente nunca saberei. 
Vocês devem ter percebido que durante um período eu decidi mexer no layout, em outros fiz umas postagens e agora eu volto para dizer que nunca se sabe quando eu realmente vou aparecer, mas vou. Vou para compartilhar algumas resenhas mais específicas e outras aleatoriedades que sempre gostei de mostrar. 

Mas vim dizer que não posso abandonar o barco dessa forma, então continuarei aqui e em outras redes sociais, sempre pronta para compartilhar e conversar com vocês como sempre fiz! Esse espacinho do Cores faz parte de quem eu sou e espero poder aparecer logo logo com algo para vocês. Por enquanto, fiquem no meu skoob caso queiram ler mais comentários literários ou no instagram do blog, porque sim!, ele vai voltar a funcionar. 

É isso meus amores, espero que todos estejam bem nessa quarentena e vamos seguir fortes!



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Eu pintei meu cabelo. 
Eu pintei meu cabelo de roxo.
Sim, eu sempre quis ser a Ravena.

Ouvi dizer que estava melancólica, que - quase - entrei em um estado de petrificação, poderia mudar o ambiente com o meu humor facilmente e que o fim desse sentir estava tão longe quanto o fim da quarentena. E eu não me importei, ou não me importo mais depois de estar há um mês na mesma posição. De fato, a melancolia virou meu maior sentimento e, também, meu maior conforto incrivelmente.

Percebi que algo estava estranho quando eu pintei meu cabelo. E eu pintei meu cabelo de roxo.

Tudo bem, você pode achar isso completamente irrelevante até porque provavelmente é. Mas não pra mim, e não porque estamos tratando do meu cabelo, mas porque estamos tratando de mim. Isso só é extremamente estranho porque meu histórico capilar é de quem tem medo de absolutamente tudo.

É claro que o Mcfly me fez querer ter cinco cores no cabelo quando eu ainda era criança, o problema foi quando essa possibilidade surgiu, eu pirei. A adolescência (período em que eu poderia raspar a cabeça sem meus pais reclamarem) traz pensamento desconfortantes para a maior parte das pessoas, e quando elas estão no ensino médio... só tristeza mesmo! Meu maior medo era pintar meu cabelo de alguma cor (porque diga-se de passagem, eu já fiz mechas loiras sem saber realmente o motivo), uma cor que eu olhasse no espelho e desmaiasse de vergonha, porque esse é o sentimento: a vergonha.

O que também não significa que meu humor estava querendo uma tintura inovadora, ele não queria mesmo, mas sempre acreditei que as aparências mostram nosso eu, quem somos e o que acreditamos. Então agora eu não fico sem meu cabelo a cima do ombro e enrolado, e juro, existe motivos para isso.

O ponto dessa enrolação toda é: eu pintei meu cabelo de roxo na segunda semana da quarentena.

E o que você fez na primeira?
Não é para ser um diário, mas imprimi todos os artigos e materiais possíveis da minha faculdade para estudar durante esse período.

Chutem quantos eu li...
Um. E porque eu - meio que - fui obrigada.

Na terceira semana, (sim, já com cabelo roxo e um pouco arrependida mas completamente leve por ter realizado essa transformação) eu já estava totalmente descrente da vida. A CNN Brasil teve estréia logo no início da pandemia e foi meu maior vício nos primeiros dias, mas depois também foi bem estressante e um pouco traumático. Então eu chorei, chorei umas três vezes e em dias aleatórios, mas chorei e chorei muito, não sei o motivo, sinceramente. Um dia acordei de madrugada chorando e me sentindo sem ar. Ansiedade. Agora eu entendo o motivo.

Desde pequena sofro com problemas de ansiedade e, bizarramente, a minha ansiedade tem um motivo e eu sei exatamente qual é. Sei como ocorre, onde ocorre e por qual motivo ocorre, e isso eu tenho muito o que agradecer a minha psicóloga e ao meu psiquiátrica. E, inevitavelmente, mesmo entendendo muito sobre o meu eu, eu tive diversas crises de ansiedade. Esse é o motivo de eu estar escrevendo isso tudo, não tem a ver com o meu cabelo (que agora é roxo), tem a ver com o que sentimos nesse período.

Eu sinto que estou vivendo, que estou passando por um momento que agrega mais ao meu espiritual do que qualquer outra coisa e, mesmo que soe melancólico como dizem as línguas por aí, eu deixo tudo acontecer. Se isso significa passar o dia todo no sofá vendo filme ou apenas olhando a televisão, qual é o problema? Por que a gente precisa, em um período tão escuro como esse que estamos vivendo, nos cobrarmos a estarmos fazendo algo? A terminar um livro? A fazer exercício? A não comer aquele brigadeiro que sonhamos na noite passada? Qual o problema? E eu percebi que o que me fazia melhor, era responder que não havia problema, e realmente não há.

A situação está aí, agora vivemos com nós mesmos em um espaço que pode ser pequenininho ou pode ser enorme, o fato é que estamos sim (e devemos ficar em casa, por favor) em quarentena e nos cobrarmos quando isso tudo está acontecendo é cruel com nós mesmos.

Não se cobrem, sintam, existam, façam coisas, não façam coisas, estejam bem com sigo mesmos a cima de qualquer outra situação. (e pintem o cabelo de roxo se for possível:)

Estamos todos nessa, e vai acabar.
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O que me aconteceu?
Por quais caminhos andei até chegar aqui?

Olá.
Olá você que ainda está aqui depois de meses.
Olá você que ainda não desistiu de você mesmo e do universo interno que recolhemos.
Eu sei que é difícil, e entendo completamente quando nos perdemos por espaços que são tão conhecidos.
Eu me perdi.
E acho que estou me encontrando.
Me reencontrando.
Reencontrando em livros que pegavam poeira em uma estante velha, agora já no lixo; em gibis, espaço literário que nunca achei possível ler; em jornais, que um dia sonhei em fazer desse meio minha profissão; em línguas extraordinárias que agora ganharam meu coração; em músicas velhas e discos arranhados; em estudos literários; em vidas que não são minhas mas que aceitaram chegar até mim; obrigada mundo, por dar tanta oportunidade de recomeçar.
E de redescobrir.
Agora, há quase uma semana de "férias" forçadas por um governo "preocupado", sigo olhando em volta, andando sem rumo pelo meu quarto, achando coisas e histórias que esqueci, talvez seja um recomeço no fim, uma vida que se vem e outra que vai.
Me reencontro.
E te encontro.


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Ei!
Tudo bem? Espero que sim.

Deus sabe do trauma que tomei de livros de Booktubers. Adoro canais literários e acredito que seja uma ótima maneira de disseminar a magia dos livros, no entanto, o que tem de livro ruim lançado por eles não é brincadeira não! Eu jurei que não leria mais nenhum livro de Booktubers, no entanto, sempre me simpatizei pela escrita de Daniel e gostava dos mini textos que lia pelo Twitter ou Instagram e também pelo conteúdo do seu canal que resolvi dar uma chance para seu livro de contos chamado de Depois do Fim, seu segundo livro. Daniel também escreveu "Por Onde Andam As Pessoas Interessantes" e "O que eu tô fazendo da minha vida".

Será que valeu a pena? É o que confere agora.


Título: Depois do Fim
Autor: Daniel Bovolento
Editor: Outro Planeta
Gênero: Romance, Drama, Contos
Número de Páginas: 224
Sinopse: Como fica a minha vida depois de você? Como é que a gente faz para esquecer alguém? Os primeiros vestígios do fim, as despedidas, deixar alguém, ser deixado, o recomeço, a necessidade de se acostumar a viver sozinho de novo, os flashbacks, as ligações de madrugada, a falta que persiste, os novos encontros, os velhos encontros, a gente encontrando a gente, um mundo novo surgindo, a luz no fim do túnel. Em Depois do fim, Daniel Bovolento conta a trajetória de todo mundo que terminou alguma coisa e tem que aprender a lidar com as diferentes dores e superações de quem perdeu um amor. São 50 textos em que se misturam crônicas e desabafos sobre recomeço, aprendizado e a esperança de um novo final feliz. 'Cada um de nós encontra uma maneira diferente de encarar o fim. Cada um de nós passa por fins diferentes, por mais que tenhamos tido histórias parecidas.

Quem nunca precisou lidar com a dor da perda, não é mesmo? Sobre as frustrações deixadas após o término de um relacionamento, o gosto amargo na boca e o aperto no coração. Como seguir em frente após um término? Como se redescobrir e reencontrar a felicidade? Como seguir sozinho após dividir sua vida com outro alguém? São os principais temas que Daniel aborda ao longo dos 50 contos que fazem parte de seu livro.

 Quando você achava que nunca aconteceria nada disso com você, quando o fim era uma perspectiva tão imprevisível quanto o início, você acaba tendo uma única certeza: ele ainda está dentro de você. E seu maior problema agora, mais do que qualquer outro, é descobrir como tirá-lo daí.  

Num primeiro momento, achei a proposta do livro bem interessante, uma vez que achava que seria uma história focada em um único casal. O fato do autor ter escolhido trazer 50 textos traz uma pluralidade muita grande pra obra, além de dar espaço para Daniel explorar melhor e com mais calma os temas, uma vez que a cada texto, uma vertente em específica é abordada, mas todas voltadas para a dor e o amor dos relacionamentos e suas inúmeras etapas. Graças a Daniel, eu agora consigo olhar livros publicados por booktubers de outra forma. Foi a minha primeira experiência com o autor, mas é um livro muito bem escrito e produzido e com certeza irei buscar seus outros títulos para ler. Ele possui um tom poético em sua escrita e as frases se conectam e jogam diversas verdades na sua cara enquanto somos apresentados a contos sobre o primeiro amor, a primeira briga, os términos. A falta de amor. A hora de ir embora e recomeçar. E se apaixonar novamente. A vida é um ciclo em que é muito bem representada em Depois do Fim.

 Amor não foi feito para ser prisão e, olha, o mundo é gigante. 

O grande destaque da obra é a maneira singela e simples que o autor conseguiu falar de temas tão complicados e delicados de serem digeridos. A escrita é muito eficiente e você se sente quase fazendo terapia ou chorando as mágoas com aquele amigo que você corre sempre que seu coração está quebrado. Amor, amizade, sexo, paixão. Um relacionamento é questão de identidade e se reconhecer em uma outra pessoa e, mesmo assim, manter a sua própria singularidade. Há sempre muitas dúvidas, incertezas e medo. É uma etapa difícil, ninguém gosta de colocar um ponto final em algo que jurou ser eterno, no entanto, faz parte e serve muito para o nosso crescimento pessoal. Nesses quesitos, o livro é impecável, trazendo a verdade dura e crua de uma maneira muito delicada.

Tempo é relativo. Para você pode ter sido um ano, para mim pode ser uma vida. A gente nunca sabe quanto tempo o outro vai morar na gente depois da despedida. 

O livro é uma coletânea de contos que representam da maneira mais sincera e transparente possível o que é se relacionar com alguém. Você se identifica com os protagonistas dos contos, se reconhece em meio a promessas feitas e a todo esforço por querer que aquela relação dê certo, porém, algumas coisas possuem um fim e você precisa a aprender a seguir em frente. A obra é uma poderosa mensagem de aceitação e amor próprio. É sobre saber a hora de ficar, mas também reconhecer a hora de partir. Mesmo que você esteja em uma etapa de vida diferente das que são abordadas ao longo dos contos, é impossível não se identificar com cada dor, cada palavra, cada emoção ensaiada pelos protagonistas que entram e saem de cena como uma peça de teatro, o filme da vida. É uma leitura tão especial que eu grifei inúmeras passagens e frases que conversaram diretamente comigo. Representam vivências e experiências do autor, mas que certamente servem para trazer reflexões particulares.  Eu separei algumas pra colocar aqui na resenha pra vocês, mais saibam que foi extremamente difícil! 

Se a gente não precisa esquecer um amor quando acaba significa que ele já tinha sido esquecido faz tempo. E qual é o sentido de se amar sem memória?

Depois do Fim possui ótimas histórias e que são altamente impactantes e reflexivas, no entanto, recomendo que você o leia intercalando-o com outras leituras. Por ser um livro de contos e, principalmente, por trazer a conturbada temática de uma vida a dois, os contos podem soar um tanto quanto monótonos e repetitivos, ainda que sejam muito bem escritos. Leia um ou dois contos por vez que acredito que o livro irá fluir muito melhor. Depois Do Fim é um livro que precisa ser degustado lentamente para sentir o peso de cada página.



Para finalizarmos, irei deixar aqui pra vocês a lista de músicas presente no livro. Para quem não sabe, para cada conto, há um título e uma música que representa a história que será contada. A experiência do livro se torna ainda mais imersiva quando você faz a leitura ouvindo a canção indicada. São ótimas músicas, vale muito a pena. Ah, e para quem não sabe, o livro é um dos inúmeros títulos presentes no Kindle Unlimited. Caso seja assinante, por que não dar uma chance para Depois do Fim? 

Nota: 4,0 /5,0 

Nos vemos qualquer dia desses por aqui ou no Startes. Grande beijo! 




Não sou mais eu, mas quem eu era também não é mais seu. A gente sempre deixa de ser, né? Depois de cruzar a soleira da porta, não tem mais volta. Uma vez que esbarramos em alguém e decidimos ir embora, tudo muda.



Lista de músicas presentes em Depois do Fim:
How Long Will I Love You - Ellie Goulding
Same Old Love - Selena Gomez
Say Something - A Great Big World ft. Christina Aguilera
Missing You - Betty Who
Big Girls Don't Cry - Fergie
Caso Você Queira Saber - Cássia Eller
Cena - Mallu Magalhães
I Am Mine - Beta Radio
Drops Of Jupiter - Train
Who Knew - P!nk
The Lightning Strike - Snow Patrol
De Passagem - Cícero
Dreaming With A Broken Heart - John Mayer
Eu Nunca Disse Adeus - Capital Inicial
Cannoball - Damien Rice
A Idade do Céu - Paulinho Moska
Amor Marginal - Johnny Hooker
Sun Tomorrow - Ira Wolf
Blame It on Me - George Ezra
She Used To Be Mine - Sara Bareilles
Rabbit - Matt Duke
As Canções que Você Fez pra Mim - Maria Bethânia
Like I'm Gonna Love You - Meghan Trainor ft. John Legend
In Your Atmosphere - John Mayer
A Noite - Tiê
The Trouble With Us - Chet Faker ft. Marcus Marr
Lost - Liza Anne
When We Were Young - The Sweet Remains
Since U Been Gone - Kelly Clarkson
In Case - Demi Lovato
Old Friend - Angus & Julia Stone
Quem, Além de Você? - Leoni
Photograph - Ed Sheeran
High Hopes - Kodaline
Gone, Gone, Gone - Phillip Phillips
It's a Fluke - Tiago Iorc
Kiss Quick - Matt Nathanson
Alive - Sia
Os Outros - Kid Abelha
Feels Like We Only Go Backwards - Tame Impala
Nothing Compares 2 U - Sinéad O'Connor
Stubborn Love - The Lumineers
Resposta ao Tempo - Nana Caymmi
Girlfriend On Demand - Joss Stone
I Didnt' Know My Own Strength - Witney Houston
The Way I Am - Ingrid Michaelson
Someone New - Banks
A Thousand Years - Christina Perri
Brand New Me - Alicia Keys
Closing Time - Semisonic
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Foto: Momentum Saga

Olá! Tudo bem?

Ainda estamos em outubro e aproveitando a recente leitura que fiz, resolvi trazer mais uma resenha de arrepiar para comemorarmos o Halloween. O livro Medicina dos Horrores da historiada americana Lindsay Fitzharris nos foi enviado por nossa querida editora parceira Intrínseca e agora vim contar tudo que achei a respeito dessa obra. 



Autor(a): Lindsay Fitzharris
Editora: Intrínseca
Gênero: Não Ficcção
Número de Páginas: 320
Sinopse: Em Medicina dos horrores, a historiadora Lindsey Fitzharris narra como era o chocante mundo da cirurgia do século XIX, que estava às vésperas de uma profunda transformação. A autora evoca os primeiros anfiteatros de operações — lugares abafados onde os procedimentos eram feitos diante de plateias lotadas — e cirurgiões pioneiros, cujo ofício era saudado não pela precisão, mas pela velocidade e pela força bruta, uma vez que não havia anestesia. Não à toa, os mais célebres cirurgiões da época eram capazes de amputar uma perna em menos de trinta segundos. Trabalhando sem luvas e sem qualquer cuidado com a higiene básica, esses profissionais, alheios à existência de micro-organismos, ficavam perplexos com as infecções pós-operatórias, o que mantinha as taxas de mortalidade implacavelmente elevadas. É nesse cenário, em que se considerava mais provável um homem sobreviver à guerra do que ao hospital, que emerge a figura de Joseph Lister, um jovem médico que desvendaria esse enigma mortal e mudaria o curso da história. Concentrando-se no tumultuado período entre 1850 e 1875, a autora nos apresenta Lister e seus contemporâneos e nos conduz por imundas escolas de medicina, os sórdidos hospitais onde eles aprimoravam sua arte, as “casas da morte” onde estudavam anatomia e os cemitérios, que eles volta e meia invadiam para roubar cadáveres.

Hoje em dia pensamos que procedimentos cirúrgicos são super tranquilos e fáceis de serem realizados, as taxas de morte estão cada vez mais baixas e temos um verdadeiro arsenal de produtos, medicamentos e outros recursos que nos impedem de contrairmos uma infecção ou que ajudam no processo de cicatrização, não é mesmo?  Mas sempre foi assim? A pesquisadora, historiada e escritora Lindsey Fitzharris se propôs a mergulhar a fundo na história da medicina cirúrgica, desde seus primórdios até as técnicas mais modernas que conhecemos hoje em dia em que a história da medicina se cruza diretamente com a de um jovem médico e cientista chamado Joseph Lister que dedicou toda a sua vida a pesquisar, implementar e evoluir os procedimentos cirúrgicos até chegarem nos estágios em que conhecemos hoje. 

Não se enganem: Todo o prestígio em ser um cirurgião é recente. Lá em 1850, o quadro era bem diferente e os cirurgiões eram comparados como açougueiros, muitas vezes trabalhavam por horas seguidas e eram muito mal remunerados - quando ainda recebiam algum salário por isso. O cenário cirúrgico 150 anos atrás era catastrófico em que realizar uma operação era praticamente a última opção a ser adotada para a resolução de uma doença e, quando realizada, dava errado e o paciente morria. Os hospitais também eram caóticos: Na época não existia esterilização dos instrumentos, troca de roupas de cama dentre os pacientes e qualquer outro método de higiene; a situação não podia ser pior: Se você fosse ao hospital, as chances de você contrair alguma bactéria e acabar morrendo eram maiores do que você se tratar em casa. Como disse, os cirurgiões eram trabalhadores braçais e sanguinários: Sem qualquer roupa de proteção, máscaras e instrumentos esterilizados, passavam horas realizando procedimentos brutais, amputando membros em anfiteatros lotados, abertos para a comunidade médica e científica acompanharem, em meio a sangue e dejetos. Por não existir anestesia na época, os pacientes eram amarrados nas macas improvisadas e desmaiavam por conta da dor proveniente dos procedimentos e da perda de sangue, que escorria livremente e sujava todo o recinto sem o menor cuidado. Médicos circulavam livremente pela "área cirúrgica" e muitos contraíam doenças e era muito comum que os cirurgiões morressem após algum tempo depois. 

Me perdoem pela descrição dos detalhes, eu sei que embrulha o estômago ler esse tipo de coisa, até porque para nós, hoje é impensável que cirurgias fossem realizadas de tal maneira já que hoje é tudo realizado de maneira tão limpa e consciente, mas esse é o tipo de relato que irão encontrar em Medicina dos Horrores; uma coisa irei dizer a vocês: Lindsay não deixa nada de fora e conta nos mínimos detalhes como eram realizadas as cirurgias em plena era vitoriana, no entanto, ainda que você seja uma pessoa sensível e que não tenha um estômago muito forte, é uma leitura riquíssima e que vai agregar muitos conhecimentos sobre a área médica. Sua escrita precisa beira à perfeição e você se sente como se estivesse lendo uma obra de ficção. A história é envolvente e muito "gostosa" de se ler (péssimo uso de palavras), mas ainda sim, recomendo evitar a leitura na hora das refeições porque em alguns momentos chega a ser repulsiva a leitura.




Em um cenário em que os médicos acreditavam que o pus era um processo de cicatrização natural do corpo e que os hospitais fediam e pessoas padeciam por conta da sépsis e a gangrena, por exemplo, surge um jovem médico chamado Joseph Lister que começa a se incomodar com os níveis altíssimos de mortes causadas por infecções generalizadas e inicia então um trabalho de pesquisa para encontrar uma forma para amenizar os efeitos negativos das cirurgias. Medicina dos Horrores se transforma numa espécie de "mini biografia" em que iremos conhecer os primeiros anos da vida de Joseph e a maneira com que o jovem entra no mundo da medicina e começa a trabalhar nas enfermarias dos hospitais. Joseph sempre foi considerado um médico "a frente" do seu tempo, pois o mesmo tratava seus pacientes de maneira humana, conhecendo melhor cada um deles e não se referindo a eles apenas pelas doenças que os levaram aos hospitais, atitude muito comum por outros médicos e cirurgiões que consideram seus pacientes como cobaias. 

Incomodado pelas condições precárias, Joseph que também era cientista, começa a observar na cidade e a buscar maneiras de melhorar a situação nos hospitais, principalmente o mau cheiro causado pelos corpos dos pacientes que não resistiam. Em meio as pesquisadas realizadas, o médico notou que o esgoto da cidade era tratado com ácido carbólico que ajudava na redução da emissão do mau odor. A partir de então o médico e cientista mergulhou a fundo em pesquisas até esbarrar em estudos realizados por ninguém menos que Louis Pasteur e então Joseph passa a adotar inúmeros procedimentos nas alas hospitalares: Os instrumentos cirúrgicos passaram a ser desinfestados utilizando o ácido carbólico e ele exigia que as roupas de cama dos leitos e os uniformes dos médicos fossem trocadas com frequência, evitando o acúmulo de substâncias como sangue, pus e dejetos. As janelas dos hospitais passaram a ser abertas e agora circulava ar entre os cômodos. Em poucos meses o cheiro podre e pungente do hospital em que trabalhava havia sumido e as taxas de morte por infecção caíram drasticamente. Em meio a todo o avanço, a grande barreira foi convencer os demais médicos e cirurgiões a adotarem essas medidas pois eles não acreditavam em germes e infecções. Em congressos realizados nos EUA e Londres, Joseph foi acusado de charlatanismo e que suas técnicas não eram eficientes. Lentamente, a eficácia dos tratamentos foram espalhadas pelos hospitais que perceberam que as taxas de morte estavam diminuindo e também a cicatrização estava mais rápida. Josephe Lister foi uma figura tão emblemática para o mundo da medicina que seu nome estampa a marca de um dos anticépticos bucais mais conhecidos do mundo, o Listerine. Os inúmeros estudos publicados por Lister serviram como guia para a modernização de procedimentos, além da adoção de suas técnicas de higienização e também a implementação de outras.

Como citei acima, Medicina dos Horrores é um livro que vai te deixar com aquele peso no estômago pois é muito difícil ler sobre como as cirurgias eram realizadas ali em meados de 1800, mas o trabalho de Lindsey é simplesmente impecável em trazer inúmeros conhecimentos até para  quem não é da área da saúde, assim como eu. Fiquei bem impressionado com os relatos do livro e é notável a força de vontade que Joseph teve para levar suas ideias para frente. Ele enfrentou muitos obstáculos e por várias vezes foi desacreditado, mas levando em consideração, graças as suas técnicas, inúmeras vidas foram salvas apenas ao adotar técnicas básicas de higienização.



Nota: 4,0 / 5,0 
* Livro cedido em parceria com a editora Intrísenca *



Com esse texto, finalizamos o nosso mês de outubro e nossos especiais de Halloween. Espero muito que tenham gostado da resenha de hoje e não se esqueça de deixar seu comentário e contar pra mim o que achou.

Nos vemos aqui no próximo sábado ou lá no Startes. 





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Olá, tudo bem? 

Vocês acharam que não teria especial de Halloween aqui no Cores, não é?

Brincadeiras à parte, estamos em outubro e achei que seria super legal trazer alguns textos temáticos aqui pra vocês pra entrarmos no clima. Vocês sabem que eu AMO terror e sempre trago alguma coisa do King aqui pra vocês. Pensei muito no que poderia fazer esse ano para comemorar o mês de terror e aproveitando a recente leitura do livro: Edgar Allan Poe: Medo Clássico, Volume 1, publicada pela editora Darkside, pensei em trazer uma mini resenha do livro além de compartilhar com vocês  uma lista com  os 5 melhores contos do autor para você que ama sentir aquele medo na hora de dormir. Espero que gostem. 

Ah, antes de começarmos, gostaria de convidar vocês a conhecerem um outro projeto que comecei junto com meu amigo: Startes, um site em que nos propomos a falar sobre música, livro, filmes, séries, jogos e o que mais quisermos. O site foi criado para justamente ser o ponto inicial para a discussão de temas artísticos em seu mais amplo aspecto e, caso vocês se interessem, iremos ficar muito felizes com a presença de vocês lá. Fazemos resenhas literárias, críticas de filmes e séries, além de outros especiais e textos dos mais diversos assuntos. Durante o mês de outubro, por exemplo, estamos trazendo alguns especiais de Halloween, então quem puder dar aquela forcinha não só acessando o site, mas divulgando para os amigos, seremos muito, muito gratos. Só clicar ali no link que vai ser redirecionado. Espero de coração que gostem. ♥ 


Foto: Canal Duda Menezes | Book Addict





Autor: Edgar Allan Poe
Editora: Darskide
Gênero: Contos, Terror
Número de Páginas: 384
Sinopse: Meia-noite. As asas de um corvo se misturam à escuridão. A velha casa em ruínas observa com janelas que pareciam olhos. Você jura ouvir a voz de alguém que já partiu para o outro lado, bem na hora em que um gato preto cruza seu caminho.Tudo o que hoje conhecemos como terror começou a ganhar forma na obra de Edgar Allan Poe. Genial e maldito, Poe é considerado o mestre dos mestres da literatura fantástica. Stephen King, Clive Barker ou H.P. Lovecraft são apenas alguns de seus discípulos mais sombrios. Porém, com certeza não são os únicos. Desde o século XIX, o criador de “O Corvo” vem influenciando gerações de escritores consagrados, dos mais diversos gêneros, como Henry James, Franz Kafka, Arthur Conan Doyle, Júlio Verne, Vladimir Nabokov, Oscar Wilde e Jorge Luis Borges.Mais de duzentos anos após seu nascimento, Poe continua atual. Sua obra se mantém em catálogo por todos os continentes, nos mais diversos idiomas, e é tema comum em teses de mestrado. Do mundo acadêmico para a cultura pop, de tempos em tempos as histórias fantásticas do autor ganham novas adaptações no cinema, na TV, na literatura.

Para quem curte o gênero, é praticamente impossível nunca ter ouvido falar de Edgar Allen Poe. Um dos maiores autores que já pisaram na Terra se mantém sendo uma referência e inspiração para grandes nomes contemporâneos da literatura, como Lovecraft e nosso tão amado Stephen King. Eu sempre tive muita curiosidade de ler algo do Poe, até porque sua contribuição para a literatura não tem barreiras e muitas de suas obras também já foram adaptadas para o cinema, televisão ou teatro. Quando um autor é tido como um dos grandes clássicos e possui um acervo muito grande, para quem está iniciando nas leituras pode ser um pouco confuso em encontrar o ponto de início: Muitas vezes por falta de informação você começa por uma ordem errada e se torna muito complicado se situar no universo criado pelo autor. Assim que a Darkside lançou esse volume, eu fiquei totalmente maravilhado. Motivo 1: O carro-chefe da editora é o terror. Logo, ter Allan Poe em seu catálogo é de suma importância. Motivo 2: Em medo Clássico, a editora compilou a trouxe seus melhores e mais conhecidos contos nessa edição impecável ao estilo Darkside. Infelizmente, eu não gosto muito de ler contos, prefiro histórias mais densas e completas e livro logo ficou encalhado na estante. Com a aproximação do Halloween, eu me incubi dessa missão especial: Medo Clássico deveria ser uma leitura obrigatória para o mês de terror. 

Mesmo não sendo um amante de contos, eu rapidamente me identifiquei com o estilo de escrita do Poe: Ainda que fosse muito formal e rebuscado, ele escreve de uma maneira muito certeira e conquista o leitor logo de cara e também deixo aqui meus parabéns pelo excelente trabalho por Marcia Heloisa na tradução do livro Seus contos misturam o sombrio e o macabro com a realidade humana, a maneira com que ele fala sobre morte é assustadoramente real e agora entendo o motivo de Poe ser tão famoso e aclamado até os dias de hoje. Apesar de serem textos rápidos e que não possuem muito aprofundamento, o autor consegue criar o ambiente propício, além de descrever e desenvolver muito bem o contexto de suas histórias em poucas páginas; Você realmente se interessa em saber amais sobre as narrativas, que mesclam elementos de terror e suspense. A edição que a Darkside trouxe 16 de seus melhores contos divididos de acordo com os temas abordados. Particularmente gostei de quase todos (obviamente escolhi 5 pra falar pra vocês hoje), e somente um ou outro que não curti muito, mas acredito que tenha tirado um bom proveito do livro. A partir de agora, irei olhar livros de contos de maneira diferentes. É possível sim escrever histórias curtas que sejam tão densas e interessantes quanto livros de 200, 300 páginas. Medo Clássico conta também com alguns extras, como uma breve biografia de Poe e fotos de sua casa, como também a versão original de um de seus poemas mais famosos, O Corvo. A continuação do livro já está nas lojas e mal posso esperar para ter em mãos o Volume 2.  

Vamos falar dos contos?

O livro foi divido em 5 categorias distintas: Espectro da Morte, Narradores Homicidas, Detetive Dupin, Mulheres Etéreas, Ímpeto Aventureiro, além de uma sessão especial dedicada para O Corvo, que seu poema mais famoso e conhecido. De cada uma dessas categorias, eu escolhi um conto para destacar aqui pra vocês.

Conto 1: O Baile da Morte Vermelha


Eu escolhi falar sobre O Baile da Morte Vermelha por ter sido um dos contos que mais me marcaram enquanto fazia a leitura do livro. Não vou me estender muito na descrição da história, uma vez que a mesma apresenta uma grande reviravolta no final. mas aqui iremos conhecer a história de um príncipe que tranca em seu castelo as pessoas mais ricas do vilarejo em que mora para salvá-los de uma terrível doença mortal. Seguros dentre as paredes dos castelos onde a comida e recursos abundantes e enquanto os pobres definham por conta da doença, o príncipe resolve dar um luxuoso baile de máscaras, no entanto, ele não conta com a presença de um inimigo silencioso e mortal.

Conto 2: O Gato Preto 


Esse conto foi um pouco difícil de entender, confesso que não havia decifrado logo de cara a mensagem passada pelo autor, até porque não conheço muitos detalhes de sua vida pessoal. Em pesquisas pela internet, encontrei vários sites que se dedicam a divulgar as obras de Poe que elegem O Gato Preto como uma das obras mais autobiográficas escritas pelo autor que narra de maneira metafórica seus vícios e seu estilo de vida noturna. É um conto muito interessante e que traz o mesmo tom sombrio enquanto Poe desccreve sua própria vida e arrependimentos e traz também um final arrepiante e surpreendente.

Conto 3: Os assassinatos na rua Morgue

O capítulo do livro intitulado como "Detetive Duplin" é formado por três contos que trazem o detetive C. Auguste Dupin como protagonista das histórias. Juntamente como Os Assassinatos na Rua Morgue, O Mistério de Marie Rogêt e A Carta Roubada, os contos deixam de lado os elementos de terror e Poe passa a explorar uma vertente mais investigativa em que muitos consideram o Detetive Duplin como o "pai" de grandes detetives da literatura como Sherlok Holmes e Hercule Poirot. Os três contos são frenéticos  e eletrizantes em que Poe traz elementos reais como assassinatos que de fato aconteceram para a confecção das suas histórias. Foi a minha sessão favorita do livro inteiro e para os fãs de suspense policial, os três contos são simplesmente imperdíveis.


Conto 4: Berenice

Extremamente violento e sanguinário, Berenice foi um dos contos do autor que mais me chocou durante a leitura do livro. Apostando em uma escrita explícita em que nenhum detalhe foi poupado, Poe conta a história de Egeu, um homem que se casa com Berenice, sua prima. A personagem começa a definhar por conta de uma doença misteriosa e sofrer de terríveis efeitos colaterais, sendo seus dentes as únicas parte do corpo da jovem que se mantiveram saudáveis. Egeu, então, desenvolve uma obsessão por eles e após a morte de Berenice, Egeu não consegue mais controlar seu comportamento obsessivo. Um conto bem perturbador e que desde sua publicação em 1835, vem levantando discussões e questionamentos.


Conto 5: O Escaravelho do Diabo

Em um de seus contos mais famosos e conhecidos, O Escaravelho do Diabo novamente traz novamente um lado mais investigativo em uma história de suspense super curta e fácil para ler. O jovem rico Willian Legrand encontra um escaravelho misterioso que começa a exercer influência em sua mente, perturbando sua sanidade mental. O jovem então mergulha em mistérios e segredos para identificar a origem do escaravelho e como encontrar uma forma de se livrar da ameaça. Dos contos da lista, é o mais curto e fácil de ser lido e ele traz elementos do terror clássico que o autor se tornou conhecido. O conto apresenta um desfecho inesperado e surpreendente e certamente foi um dos melhores que eu li.

Bom, gente, esse foi o texto especial de hoje, espero que vocês tenham gostado da resenha do livro e dos contos que escolhi pra trazer aqui pra vocês, eu certamente fiquei muito feliz de ter feito a leitura de Medo Clássico e de enfim ter conhecido um pouquinho desse grande escritor.

Nos vemos no próximo sábado ou lá no Startes.

Até lá!


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Ainda perdida e ainda tentando achar luz em textos alheios e palavras autorais. Amante de café, literatura, fotografia, cinema, viagens e amor.

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